As argumentações de base desonesta

Quando Edmund Husserl advertiu ser um contra-senso pretender fundamentar ou refutar idéias com fatos, não estava ele profetizando o uso de um estratagema que ambicionaria a generalização das argumentações em ciências sociais a seguir. Já havia sido diagnosticada a atitude tão comum dos “picaretas” intelectuais pela dialética aristotélica ou do “discurso erístico”, de Schopenhauer.

A advertência, dessa forma, serviu muito aos pensadores modernos, mas lamentavelmente deixou-se cair no fosso lúgubre das possibilidades desconstrucionistas elaboradas no advento da pós-modernidade. Se por um lado os pensadores seguintes, como Jacques Derrida, Heidegger, Michel Foucault, entre tantos outros, influenciaram-se pelos métodos de Husserl e outras mentes mais providas de escrúpulos, acabaram por tirar dele toda e qualquer oportunidade de ação usando de argumentações sedutoras que, causalmente foram incorporadas pelo que se chamou de pós-modernidade.

O objetivo apareceu logo em seguida ou, contemporaneamente aos próprios pensadores. O comunismo mostrava o fracasso das aplicações de suas teorias e o capitalismo, o sucesso em países desenvolvidos. O apelo foi justamente culpar o capitalismo pela miséria dos países pobres simultaneamente a dar o mérito da teoria marxista ás conquistas desses povos no âmbito social. Na comparação entre socialismo e capitalismo, só a teoria do primeiro era mencionada, enquanto os fatos do segundo – especialmente os negativos – eram usados como grande característica deste sistema liberal. Ora, se é necessário compará-los, especialmente para se descobrir qual deles é o melhor, não se pode comparar as idéias de um aos fatos do outro. Sejamos rigorosos. O socialismo na prática só trouxe a morte de milhões de pessoas, vítimas dos seus regimes irmãos como o comunismo, fascismo e nazismo. O capitalismo, por sua vez, trouxe inumeráveis avanços para a humanidade, justamente por ter como pressuposto a liberdade do indivíduo e a noção do homem como fim em si mesmo.

Se compararmos então as conseqüências que o sistema socialista trouxe aos países onde ele se instalou, vamos cair no crescimento do Estado – coisa aliás que a teoria socialista visa extinguir – diminuição das liberdades do indivíduo, instrumentalização do homem – o que os socialistas mais criticam do capitalismo –, levando ao autoritarismo e, em seguida, ao totalitarismo.

Portanto, enumerar características subjetivas do socialismo não significa responder à pergunta proposta pela Guerra Fria, mas ao contrário, se confrontado com os fatos, é declarar que este sistema fracassou em todos os aspectos da vida humana por ver no homem apenas a vida econômica caindo em um erro histórico que nem deveria ser mencionado.

O socialismo teórico se aproxima muito das narrativas épicas e teológicas a respeito de um paraíso redentor na Terra. É a conseqüência última dos ideais iluministas que promovem a canonização da Razão, em detrimento da racionalidade.

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro “A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)” e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.
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