Apenas 10% dos jovens confiam na imprensa no Brasil

Entre os brasileiros de 16 e 24 anos, apenas 10% confiam muito na imprensa, 48% confiam pouco e 41% não confiam absolutamente. O Jornal Folha de São Paulo, divulgador da pesquisa, enfatizou a manutenção de 22% de credibilidade da imprensa entre a população geral. O descrédito entre os mais jovens, porém, demonstra um possível efeito nas eleições e na participação política, já que as redes sociais fizeram aumentar a participação dos jovens na política.

As Forças Armadas continuam sendo a instituição mais confiável do país, com 40%. Já a classe política, assim como a imprensa, caiu bastante em direção ao descrédito popular.

A maior queda de credibilidade foi da presidência da República que, em 2012, tinha 33% de credibilidade e hoje somente 3%. Assim como os partidos políticos, que viram sua credibilidade despencar: 2% da população confiam muito nos partidos, 28% confiam pouco e 68% não confiam nem um pouco nos partidos políticos.

A pesquisa, feita pelo Datafolha, ouviu 2.771 pessoas de 21 a 23 de junho. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos.

Credibilidade da mídia e “fake news”

A credibilidade da imprensa, no Brasil, acompanha uma queda que se verifica há décadas em todo o mundo, desde que o advento da internet balançou o modelo de negócio das grandes empresas jornalísticas, que tiveram que recorrer a outras fontes de financiamento. Antes da internet, a imprensa era financiada pela publicidade impressa, que vinha de grandes empresas e de governos. Desde o final da década de 90, porém, os grandes jornais, ancorados ao modelo impresso, precisaram recorrer ao chamado Terceiro Setor (ONGs), de onde passaram a receber influência também do conteúdo.

Como o Terceiro Setor é essencialmente transformador e não se preocupa em oferecer diferenciais informativos, os jornais foram gradativamente caindo no descrédito. A internet, que passou a se uma alternativa mais sincera à informação, começou a preocupar os jornais. Na esteira das denúncias de manipulação, alguns jornalistas viram a possibilidade de aproveitar o “gancho” do fake news, para descredibilizar a internet, o rival que roubou-lhes o financiamento e a credibilidade informativa.

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro “A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)” e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.
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