UFRJ: Evento para estudantes da área da saúde comete erro grosseiro de informação sobre mortalidade

UFRJ: Evento para estudantes da área da saúde comete erro grosseiro de informação sobre mortalidade

02/10/2018 0 Por Marlon

Em anúncio de evento promovido pela Liga Acadêmica de Ginecologia e Obstetrícia (Lago) da UFRJ, afirmou-se que o aborto inseguro seria responsável, no Brasil, por 70.000 mortes maternas ao ano. Contudo, o número é superior ao total de mortes de mulheres em idade fértil, que foi de 67.147 em 2016; 65.328 em 2015 e 65.715 em 2014, conforme Datasus.

Segundo o anúncio do evento feito pela Lago, a fonte da informação seria a OMS. O número é mais de 41 vezes superior ao total de mortes maternas em 2016, que foi de 1.670 mesmo considerando todas as causas de morte materna.

liga academica GO UFRJO evento acontece no dia 02  de outubro de 2018, nas dependências da Universidade (UFRJ) e deverá tratar o tema do aborto com o título: “Aborto, uma questão de saúde: Física? Mental? Afetiva?“. São esperadas entre 60 a 180 pessoas, segundo agenda de evento da página do Facebook da Liga.

Na audiência pública do Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 3 de agosto, representante do Ministério da Saúde informou que os 56 óbitos maternos por aborto provocado no Datasus poderiam ter uma outra interpretação, e baseando-se em suas estimativas e projeções, o número poderia chegar, no máximo, a 205 óbitos ao ano por aborto (na audiência a representante não deixou claro se esse número incluía óbitos por aborto espontâneo). Ou seja, um número 341 vezes menor do que os 70 mil informados no anúncio do evento de medicina.

A completa falta de informação sobre a realidade da saúde pública brasileira, por parcela dos profissionais da saúde, deve ser motivo de grande preocupação para toda a sociedade, que espera dos médicos um serviço com valor inestimável. É possível imaginar que a qualidade dos cursos da saúde da UFRJ e do evento em si, que trouxe o erro no anúncio, possam estar abaixo do esperado para uma boa formação para estes profissionais da saúde.

Estratégia de superestimar óbitos maternos

Em geral, partidários da legalização buscam superestimar dados de morte materna e estimativas de aborto, para produzir um efeito moral impactante na opinião pública. Em artigo recente, mostramos como essa mesma estratégia fora utilizada em diversos outros países na fase pré-legalização do aborto.

O evento mostra que a militância e a indústria do aborto obteve êxito em penetrar no ambiente universitário para deformar os futuros profissionais da saúde no Brasil. A instrumentalização da área da saúde para que os médicos não sejam um  empecilho para a indústria do aborto é algo que vem sendo implementado há décadas, como mostrou o estudo específico sobre o tema, em 2018.


Foto de capa: não se trata da foto relacionada ao evento, mas de uma ação recente realizada pelo Ad UFRJ – Seção sindical, que colocou cartazes polêmicos de estudantes revistando a polícia.