Legalização do aborto no Uruguai aumenta em 30% o número de mortes

ATUALIZAÇÃO DE AGOSTO DE 2017.
Leia o artigo mais recente: Número de abortos no Uruguai cresce 35% após legalização.

Artigo Estudos Nacionais de Março de 2017. Legalização do aborto no Uruguai aumenta em 30% o número de mortes

Hoje, se você digitar no Google a palavra chave “aborto no Uruguai” o primeiro resultado da busca que aparecerá é o trecho abaixo, destacando o site que o google considera mais relevante pelo motor de busca.

“O número de mulheres que decidiram levar adiante a gravidez após solicitar um aborto legal no Uruguai cresceu 30% em 2014 se comparado ao ano anterior, conforme o segundo relatório anual do Ministério da Saúde (MSP) divulgado neste fim de ano“

A notícia otimista foi publicada no site Terra e trata do aumento do número de mulheres que decidiram levar a gravidez adiante. A estatística apenas se refere ao número de desistências do aborto e não significa diminuição no número de abortos. Mas e quanto ao número de abortos realizados?  No terceiro parágrafo, a matéria mostra dados que são, na verdade, bem mais importantes:

“O total de abortos legais concretizados subiu 20%, com “8.500 interrupções voluntárias da gravidez”, mais do que no mesmo período de acordo com o comunicado.

Ou seja, o número de abortos aumentou. Considerando que em cada aborto há a morte de um ser humano, o número de mortes aumentou e isso não deveria ser motivo de comemoração.

Se a preocupação das pessoas fosse com a vida será que o título da notícia não deveria ser diferente?

Estudos mais recentes mostraram que depois de subir 20% o número de abortos em 2014, em 2015 o número de abortos subiu mais 9%, atingindo um total de 9.362 no ano. Ou seja, com duas altas sucessivas, o número de abortos  no Uruguai após a legalização aumentou 30%.

Em quantidade de abortos, desde 2013 ocorreram pelo menos 2.191 mortes adicionais, motivadas pela legalização do aborto no país.

Outro dado importante é que, no Uruguai, 82% das mulheres são maiores de 20 anos, ou seja, com maiores capacidades de arcar os compromissos da maternidade.

Veja o resumo dos dados sobre o aborto no Uruguai após a legalização:

2013 = 7.171
2014 = 8.537
2015 = 9.362

Manifestações de grupos contrários ao aborto não são divulgadas pela imprensa nacional ou internacional, dando a falsa impressão de conformismo e consenso na sociedade uruguaia.

Vale considerar outro fator de extrema importância: os números foram divulgados pelo Ministério da Saúde do país. São, portanto, dados insuspeitos, pois não se tratam de números apresentados pela oposição à causa da liberação do aborto.

As organizações internacionais favoráveis a legalização do aborto, em especial na América Latina, se referem constantemente ao Uruguai como sendo o país latino da vanguarda na causa e que deverá ser responsável por motivar os seus vizinhos sobre a legalização, portanto, há um evidente interesse de muitas organizações dentro e fora do Uruguai em mostrar os dados como positivos sobre a experiência uruguaia.

Os dados são computados e divulgados pelos órgãos do Governo, com grandes chances de que dados positivos sejam superexpostos enquanto dados negativos sejam menos enfatizados ou até mesmo sonegados, sob pena de colocar a perder a estratégia nacional e internacional bem como a imagem das atuais instituições.

 

Fontes de referência:
El Pais –Noticia sobre marcha pela vida não divulgada pela grande mídia brasileira

El Pais – Matéria do El Pais mostra aumento no número de abortos no Uruguai pelo segundo ano consecutivo após legalização. 

Observação: A primeira matéria citada, do noticias.terra, não será vinculada como fonte de referência uma vez que cada vinculação “aumenta a relevância” do link para o Google enquanto buscador-automatizado, e da nossa parte nada será feito que possa estimular que esse tipo de informação manipulada seja evidenciado nas buscas.

Pesquisador independente e tradutor, escreve e coordena pesquisas para o site EstudosNacionais.com e para a Revista Estudos Nacionais. Desenvolve projetos editoriais na editora Estudos Nacionais e Livraria Pius.

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