ENEM 2018: Estudantes terão que usar fake news para redação sobre aborto

ENEM 2018: Estudantes terão que usar fake news para redação sobre aborto

25/09/2018 0 Por Marlon

Não bastasse todo o aparelhamento progressista nas universidades brasileiras, sufocando qualquer opinião contrária às suas pautas, agora a orientação pró-legalização parece ser um pré-requisito para ingresso na universidade.

Segundo site InfoENEM, o tema “descriminalização do aborto” poderá ser tema da redação, que é uma “dissertação-argumentativa”, ou seja, um gênero opinativo de escrita em que “se organiza na defesa de um ponto de vista sobre determinado assunto”. Ou seja, os candidatos precisam se posicionar ao tratar o tema.

O site InfoENEM não é um site oficial do ENEM, portanto, pauta a questão de forma independente, conjecturando que o aborto seja um dos temas da prova de 2018, devido a ADPF442 que fez acender o debate. De fato, há grandes chances de que seja tema de prova. O site infoENEM aproveita para lacrar e trazer todos os argumentos pró-legalização. Segundo ferramenta estatística “SimilarWeb”, estima-se que o site InfoENEM tenha mais de 400 mil acessos ao mês, portanto, muitos jovens devem estar neste momento estudando com base nos dados divulgados pelo site.

Na prova, ainda segundo a Info ENEM, é necessário ao estudante “apresentar uma tese, desenvolver justificativas para comprovar essa tese e uma conclusão que dê um fecho à discussão elaborada no texto, compondo o processo argumentativo”, usando de “dados estatísticos”, “pesquisas”, “fatos comprováveis” etc.  Quais dados devem ser utilizados?

Os bons alunos se tornarão abortistas

O site InfoEnem traz para subsidiar os estudantes, uma série de textos sobre o tema, repleto de desinformação e falácias amplamente utilizadas pelos defensores da legalização do aborto.

No primeiro texto da série, o InfoENEM já comete erro grave ao não explicar que o chamado popularmente “aborto legal” se trata apenas do excludente de ilicitude, ou seja, permanece sendo crime mas não se pune a mulher nos casos de gestação decorrente de violência sexual ou para salvar a vida da gestante.

Então começam as fake news e fake science, utilizando-se de estudos do Instituto Guttmacher para afirmar que o aborto cai onde a prática é legalizada. Conforme analisei em artigo recente, a afirmação é falaciosa porque induz o leitor a pensar que a legalização provoque redução na incidência da prática, o que nem mesmo o estudo falacioso do Guttmacher afirma . Todavia, o estudo superestima abortos onde o aborto é crime e subestima onde a prática é legalizada, além de fazer um recorte temporal que inviabiliza qualquer afirmação de que a legalização provoque redução na incidência de abortos. Resta provado, por outro lado, que a legalização do aborto produz grande aumento no número dos procedimentos letais para o nascituro.

No segundo texto da série, o InfoENEM cita alguns posicionamentos de entidades participantes da audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF) ocorrida nos dias 3 e 6 de agosto. Agora é hora dos adolescentes memorizarem fake news e fake science em prol do aborto para passarem na prova. A estratégia da audiência pública manipulada pela ministra Rosa Weber é reproduzida claramente pelo InfoENEM, colocando de um lado organismos oficiais, institutos e organizações “de renome”, aparelhadas pela indústria do aborto, com falácias, fake news e manipulações; do outro lado, entidades ligadas à religião com alguns argumentos contrários. A Rosa Weber rejeitou diversas ONGs não ligadas a entidades religiosas de participar da audiência pública, sem justificativas, o que resultou em um placar de 34 entidades pró-legalização contra 16 entidades contrárias.

Com “autoridade” do Ministério da Saúde, lacram que “Uma em cada cinco mulheres já fez um aborto no Brasil…”, sem destacar que a própria pesquisa que embasa essa afirmação declara que PODEM ESTAR INCLUSOS ABORTOS ESPONTÂNEOS. Assim como na audiência pública, não houve ressalva quanto ao fato de que diversas outras pesquisas já apontaram que, no máximo 20% das mulheres no Brasil passam por experiência de aborto na vida reprodutiva mas que 80 a 90% dos casos é aborto espontâneo. Certamente, o aluno que afirmar isso poderá perder pontos na prova.

Para completar a lacração, citam Papas e entidades católicas para reforçar a ideia de que a defesa da vida seria uma questão religiosa. Ao mesmo tempo, para a ciência, “não há um consenso sobre o assunto”, é o que dizem, baseados em artigo do site da Super Interessante.

O terceiro e último texto da série repete manipulações do Instituto Guttmacher, que consideram superestimativas de abortos implausíveis e até mesmo refutadas pelos próprios abortistas, para dizer que onde o aborto é crime mais mulheres fazem aborto do que onde ele é legalizado. Reforçam alguns dos argumentos pró-legalização e falácias dos textos anteriores, para garantir que os jovens fixem na memória a cantilena abortista, e então trazem a já antiga manipulação sobre o custo financeiro ao SUS relacionado ao aborto não ser legalizado.

InfoENEM pega pesado com dados falsos

Considerando dados de 2013, afirmam que 154.391 internações para fins de curetagens seriam todas decorrentes de abortos provocados, o que é completamente implausível. Para piorar, calcularam o custo da curetagem como sendo o custo do procedimento de aborto, que é de R$ 413 por aborto. Com isso, projetam R$ 63,8 milhões.

A verdade é que, segundo tabela do SUS e as informações financeiras do Datasus, as curetagens pós-abortamento custam entre R$ 137 e 179 por procedimento, ou no máximo, considerando procedimentos complementares como anestesia, beiram média de R$ 230. Manipulando a base de cálculo (154.931 procedimentos) e praticamente dobrando o custo do procedimento, trazem um panorama completamente surreal, que certamente visa doutrinar nossos jovens.

Ao verificar o número disponível no Datasus, que é um sistema com foco prioritário de controle orçamentário, vemos é impossível falar em R$ 63 milhões.

Nem mesmo o total de curetagens pós-aborto espontâneo somado com curetagens pós-aborto provocado, pós-parto (retirada de placenta) e somados os abortos legais,  chega-se ao número citado na matéria do InfoENEM. Muitas pesquisas indicam que mais de 80% dos abortos são espontâneos, como o PNDS 2013, do Ministério da Saúde,  que indicou que 88% seria espontâneo, apenas 12% do custo de curetagens, excluídos custo de aborto legal, poderiam ser atribuídos ao aborto provocado clandestinamente. Ou seja, ao invés dos R$ 63,8 milhões ditos pelo InfoENEM, o número correto pode estar na casa dos R$ 5,6 milhões (ou seja, o número pode ser mais de 11 vezes menor do que o valor dito pelo site do InfoENEM).

Neste quesito, o InfoENEM não traz qualquer citação que justifique os dados apresentados. Possivelmente, o dado tenha saído de alguma fake news, como já ocorreu tempos atrás por veículos da grande mídia que foram desmascarado pela obstetra e ginecologista Dra. Elisabeth Kipman Cerqueira, em artigo ao portal Terça Livre. Na análise da médica, o custo poderia, no máximo, chegar a R$ 10 milhões ao ano (ou R$ 108 milhões em 10 anos).

O Portal InfoENEM também falha ao não projetar o custo que o aborto legalizado provocaria no Brasil, visto que o procedimento de aborto é mais caro que o tratamento pós-abortamento e haveria um aumento no número de procedimentos em níveis bastante significativos.

As fake news e fake science sobre este tema são divulgadas amplamente pela grande mídia. A simples possibilidade de que o ENEM coloque esse tema na redação, considerando os meios de comunicação disponíveis, monopolizados pela ideologia progressista, é algo preocupante. Certamente muitos jovens acabarão caindo em fake news e absorvendo isso como discurso próprio.