Apenas 6% são favoráveis à legalização do aborto, diz Datafolha

Apenas 6% são favoráveis a legalização do aborto

O site G1 usa manchete tendenciosa levando leitores a interpretação de que houve uma redução na posição pró-vida no Brasil. Datafolha mostra que apenas 6% dos entrevistados são favoráveis a legalização do aborto em qualquer situação.

A manchete diz que “41% dos brasileiros são contra qualquer tipo de aborto, diz Datafolha”, o que é verdade, mas o destaque ao percentual de 41% tem sido interpretado erroneamente, por leitores, como sendo o percentual da população que é contra projetos de legalização do aborto. Essa interpretação é completamente incorreta porque o dado representa os que são contrários a qualquer lei que permita o aborto, incluindo caso de estupro e anencefalia. Os dados da pesquisa mostram que 34% são favoráveis a manter a lei atual,  e apenas 6% são favoráveis ao aborto em qualquer situação.

Em janeiro de 2019, o portal G1, do grupo Globo, divulgou a mais recente pesquisa do Datafolha sobre a opinião pública acerca do tema do aborto. Seguindo tendência dos últimos anos, grande veículos utilizam diferentes recortes na interpretação dos dados para amenizar a crescente aversão da população aos projetos de legalização do aborto.

A pergunta do Datafolha questionava se o aborto deveria:

  • Ser totalmente proibido: 41%
  • Continuar como hoje: 34%
  • Ser permitido em mais situações: 16%
  • Ser permitido em qualquer situação: 6%
  • Não sabe: 2%
  • Outras respostas: 1%

Qual a informação da pesquisa é relevante para o debate do aborto?

Diante da ação que é debatida no Supremo Tribunal Federal (STF),  cujo pedido é para legalizar o aborto em qualquer situação até 12 semanas de gestação, a informação mais importante desta pesquisa é o percentual que se manifestou a favor de que o aborto seja “permitido em qualquer situação”. Ou seja, apenas 6% é favorável ao que o STF pode vir a legalizar no âmbito da ADPF442 (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental).

Os 16% que acham que deveria “ser permitido em mais situações”, corresponde a uma massa de opinião pouco esclarecida, especialmente porque a história recente da questão do aborto, em inúmeros países, mostra que a legalização do aborto avança em etapas. Portanto, a permissão do aborto “em algumas situações” adicionais nada mais é do que uma situação transitória, para que se alcance o momento em que o aborto possa ser “permitido em qualquer situação”. Essa foi a estratégia proposta ao movimento pró-escolha por Alan Frank Guttmacher, dinâmica ilustrada, por exemplo, pela recente lei aprovada em Nova Iorque, que aprovou o aborto até nove meses sob vontade da gestante.

Esse grupo de 16%, também indica aversão ao aborto, mas toma posição por fatores não racionais, pois em alguns momentos considera que a vida deve ser preservada, em outros não.


 
 

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