A vítima do aborto não é a mulher

No intuito de defender a vida e atacar as crenças assassinas dos abortistas, muitos argumentadores em debates públicos, especialmente na mídia, utilizam-se dos argumentos de defesa das  mulheres que abortam, enfatizando os traumas psicológicos e males que advém do horroroso ato de assassinar o próprio filho no ventre. Mas esta linha de argumentos possui uma armadilha perigosíssima que representa, na verdade, a defesa velada da legalização do aborto.

O primeiro absurdo disso é o fato de se estar, na verdade, distorcendo moralmente o aborto. A vítima do aborto é o feto indefeso que está no ventre da mãe e não a mãe, que segundo os abortistas, é vítima do “fardo” de ter que carregar alguém que ela não deseja. Como se o desejo subjetivo de uma pessoa (capaz e independente) devesse prevalecer sobre a vida ou a morte de alguém que depende inteiramente dela.

Em segundo lugar, diante de um ato tão covarde, o trauma psicológico ou a depressão decorrentes do sentimento de culpa são na verdade consequências inescapáveis. Ninguém pode pretender eliminar a culpa do culpado. Mesmo que seja perdoada por quem quer que seja, nada irá mudar o que ela fez e as consequências disso.

Em terceiro lugar, todos os militantes pró-aborto dizem lutar contra a mortalidade das mulheres que morrem tentando abortar em clínicas em condições deploráveis, o que se credita ao fato de serem ilegais. Ora, você acha mesmo que os militantes não associam todos os traumas e danos físicos e emocionais das mulheres às péssimas condições das clínicas? E a culpa disso seria obviamente a ilegalidade destes ambientes, o que, na opinião deles, se resolveria mediante a simples legalização do aborto.

Portanto, o único trauma, o único mal, o único dano realmente injusto de um aborto é contra o feto e a ninguém mais. Esta é a vítima do aborto. Podemos ser caridosos e compreensivos com mães que cometem este crime por confusões mentais, pressões de todos os tipos, fragilidades emocionais, etc, mas jamais teremos o direito de dizer que ela é a vítima do aborto. Enfim, essas mulheres certamente precisam de ajuda, mas nenhuma ajuda virá da mentira, da inversão de valores e da falsificação moral de uma realidade tão brutal e desumana que é o aborto em qualquer circunstância.

O motivo da recorrência deste argumento em debates tem um nome: politicamente correto. O discurso atual dos direitos humanos fez com que parecesse perfeitamente normal atenuar as culpas justificando-as por meio de situações sociais ou psicológicas. Isso começou quando as pessoas começaram a renunciar suas consciências e substituir o medo da culpa ou do inferno, pelo medo da lei e do estado. Só o estado, constituído por pessoas, permite justificativas sociais. A consciência não. Os traumas psicológicos, feridas na alma, advém, em grande medida, da obstinada negação da verdade em nome de justificativas auto vitimizadoras.

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro “A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)” e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.
1 responder
  1. E. Cabral
    E. Cabral says:

    Eu moro aqui na China e posso dizer que a mulher aqui é vítima do aborto. Simplesmente pq se o homem não aceitar a mulher é obrigada a abortar. Mas muito bem colocado por você, está certo nos princípios. A mulher não é vítima do aborto, mas a legalização abre o caminho que ela seja vítima.

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