A transformação social

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Como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda

Autor: Cristian Derosa

Este livro traz uma explicação histórica e teórica sobre a importante mudança social que implicou em grandes transformações na sociedade. A função pretendida dos meios de comunicação cambiou-se desde sua tarefa original que era informar até adaptar-se aos fundamentos de uma nova função orientada para a transformação social.

A crença inquestionável na necessidade de transformação dos padrões culturais representa hoje um muro intransponível à inteligência de milhares de estudantes que chegam às universidades e são bombardeados com estímulos aos mais delirantes sonhos de sociedade perfeita. Desde a utopia socialista até as miragens esotéricas da Nova Era e do ambientalismo transumanista, parece inquestionável a confiança no poder humano de transformar a sociedade e a natureza. Do mesmo modo como a ciência moderna ambicionou o controle técnico da natureza, donde vem a crítica pós-moderna, a utopia da reconstrução da mente humana por meio da engenharia social foi sendo sedimentado por teorias e agentes políticos influentes ao longo das últimas décadas. A mudança de função é tão profunda quanto imperceptível, já que disposta hegemonicamente entre notícias e opiniões, o leitor ou espectador, o consumidor de informação vai sendo tolhido em sua cognição até fazer-se incapaz de diferenciar o que é informação e o que é manipulação.

A autoridade dos consensos na tomada de decisões, marca da ideologia da democracia moderna, torna-se força justificadora para a elevação das emoções populares e gostos grupais a autoridade de reivindicações de direitos legítimas. O uso da instituição dos direitos humanos, tal como tem sido deturpados por sucessivas resoluções da ONU, aproxima-nos pouco a pouco de uma ditadura do relativismo, como bem denunciava o Papa Bento XVI. Essa nova ideologia se vale do apoio maciço da grande mídia para a destruição dos valores tradicionais para a criação de uma verdadeira religiosidade laica contra a qual nenhuma crítica parece possível. Ao menos no ambiente da mídia.

A função informativa dos meios de comunicação sempre foi limitada por diversos fatores, afinal, um coeficiente de transformação sempre foi admitido e esperado. Mas as possibilidades de transformação consciente se ampliaram incrivelmente durante o século XX, de modo que diferenciar os efeitos pretendidos dos aleatórios torna-se um importante desafio para a otimização de nossa orientação na complexidade cada vez maior do mundo atual. Diferenciar a mentira da verdade, embora seja uma das mais antigas tarefas humanas, para não dizer essencialmente humana, implica hoje diretamente no nível de nossa liberdade diante do mundo.

Este livro procurou refazer o caminho teórico e histórico desta mudança funcional que se inicia necessariamente na informação como base de apoio. Ao longo desta obra, o leitor será convidado a perceber como este percurso se deu em diferentes frentes que trataram do tema da comunicação, assim como naquelas que buscaram gradativamente modificar o critério de julgamento popular desde a objetividade característica das gerações anteriores, até o subjetivismo individualista atual, que graceja entre a ideologia do consumo, a orientação pelos desejos, até o niilismo da autodestruição nomeadamente utópica das gerações atuais. A transformação dos critérios entre as gerações pode ter sido em grande parte por mudanças civilizacionais e até certo ponto cíclicas, como defende em parte David Reisman. Mas como veremos, há uma impressionante contribuição de ideólogos e engenheiros sociais nestas transformações profundas que em muito ajudaram na propagação de suas utopias revolucionárias.

O AUTOR

Cristian Derosa é mestre em jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), escritor e pesquisador. Coordena o Centro de Estudos de Mídia e Opinião Pública para o site Estudos Nacionais e é editor de publicações como a Revista Estudos Nacionais.