A nova masculinidade revolucionária

É fato que o mundo ocidental carece de masculinidade. A progressiva mudança comportamental trazida pelas revoluções sexuais do século passado tiveram como resultado duas diferentes enfermidades facilmente reconhecíveis em nossos dias. De um lado a fragilidade do apelo a tolerâncias e passividades inerentes a uma cultura do feminino; de outro, a neurótica tentativa de recuperação, marcada pelo retorno a uma masculinidade doentia e apelo inevitável ao maligno como solução.

A primeira parte desse processo é bem conhecida. Ditado pelo mainstream esquerdista que foi derrotado por suas propostas de construção da realidade, o relativismo marcou a desistência do mundo real que contradiz a teoria. Como temos visto, este relativismo discursivo desconstrói os papéis sexuais e a definição dos gêneros, criando um emaranhado de palavras cujo significado compõem a nova etimologia do que identificamos como o politicamente correto, que defende genocídios por meio do elogio dos direitos humanos e de um discurso palatável intelectualmente, tendência que hoje transborda na mídia e meios universitários. Articulistas conservadores têm se referido a este primeiro aspecto do problema na última década. Mas sugiro o exame da sequência do mesmo processo e cujos sintomas observamos tanto entre modernistas quanto naqueles que pretendem engrossar a fileira anti-modernista e conservadora.

Trata-se de um “masculinismo”, isto é, de um culto à masculinidade. Mas não é a qualquer masculinidade. É àquela desenhada pelo feminismo, pelas doutrinas que deram origem a esse “discurso efeminado”, já que buscam primeiramente opor-se a esse tipo de discurso. É a exacerbação do macho, do viril, do violento e, consequentemente, do mal. No intento de contrariar o conjunto de crenças que formam o politicamente correto, busca-se opor-se a essas ideias por representarem este “boneco” chamado discurso moderno ou pós-moderno. Trata-se de uma das faces da mesma moeda revolucionária, uma armadilha bastante engenhosa que vitima justamente os jovens produtos da cultura moderna que aderem às mais esquisitas formas de conservadorismo e “neotradicionalismo”.

Na cultura do final do século XX, em que estes jovens foram criados, o arquétipo do mal esteve sempre associado à força e poder, enquanto que o bem era constantemente vinculado ao aparentemente fraco e bondoso, quase servil. Ocorre que a vitória do lado bom contava sempre com pouca explicação, já que a imagem do bem era a própria imagem da passividade. A única explicação para a frase “o bem sempre vence” podia ser resumida pelo Deus caritas est, isto é, Deus, o bem, era amor, passividade, diferente do mal, vinculado sempre ao ódio e consequentemente à ação. Diante de situações de perigo, porém, esta imagem de passividade era abalada pelos que queriam, em seu ego, estar relacionados ao bem e não ao mal. Em um mundo que claramente se secularizava e buscava respostas no materialismo utilitarista, a imagem maligna e atemorizadora parecia ser mais eficiente contra o mal do que aquela passividade servil.

O jovem criado neste ambiente, sugestionado pelo utilitário como valor em si e pela eficiência enquanto dogma moderno, prefere logicamente o poder de vitória que o ódio confere. Inflado pela elogiosa esperança moderna depositada nele e no futuro que reside em suas mãos, o jovem preenche-se do vazio existencial que o laicismo materialista ajudou a criar dentro dele. Abraça então as hordas da promessa de poder. Em lugar de amar seus inimigos odiando o mal e o pecado, como recomenda o Cristo, passa a odiar o inimigo usando do mal e do pecado em busca da vitória, opção mais do que lógica e esperada quando não há mais lugar na alma para o transcendente, a não ser como fetiche utilitário de demonstrações de superioridade. O seu inimigo é tudo o que desagrada o ego, que o faz parecer fraco e submisso. O seu inimigo é Deus, embora diga lutar em nome dEle.

Estes jovens sucumbem à tentação estética dos homens viris e autoritários que dominaram o mundo aos gritos e avalanches de violência, principalmente contra à irritante discursividade efeminada dos intelectuais que povoam os meios editoriais, universitários e a mídia.

A dialética revolucionária, portanto, usando do ódio contra ela mesma, subverte a identidade humana não só vitimando as mulheres por meio do feminismo, mas também aos homens. Como característica principal, o método dialético se resume justamente a afirmar o que nega e negar o que afirma, de modo que todo resultado lhe serve, interpenetra e justifica toda a ação revolucionária. Quando o propósito é a inversão da realidade, tudo vale, tudo é permitido. Neste aspecto, a ordem é sectária e opressiva, enquanto que o caos traz a grande chance de redenção.

É nessa brecha psicológica e cultural que entra o filósofo Alexander Dugin, com a sua doutrina geopolítica do “conservadorismo revolucionário”, que traz consigo uma imensidão de soluções políticas embasadas por um rico e excitante arcabouço mitológico e neopagão permeado por imagens míticas de poder e glória. Estas idéias preenchem o vazio gerado na mente e nos corações da juventude órfã de soluções e exércitos associados a um brasão de força e poder a que possam se unir.

A presente situação política e cultural impõe um comportamento de coalizão, de luta, o que dificulta que se possa imaginar uma modalidade de luta indiferente às soluções propostas. Essa incapacidade imaginativa parece ser devida à condição psicológica em que o problema foi gerado. Quando o centro decisório do indivíduo está centrado nas suas paixões, tal como nos foi estimulado por meio de uma cultura dos desejos, não é possível imaginar o que é inconveniente à personalidade construída na TV, no cinema e nas obras literárias de escritores igualmente perturbados e distantes de si mesmos. Mais ainda quando a ideologia é associada a um desejo íntimo e de difícil separação desta personalidade, fundada nas circunstâncias de uma impressão de abandono paterno que ameaça reduzi-lo à tão temida condição de passividade que aprendeu a associar com atitude contraproducente e pouco funcional.

Assim, a atuação na realidade divorcia-se da compreensão e se reduz à ação política. E nada os poderá deter. Pois o que buscam não é a vitória real mas imaginária. É a vitória estética, a vitória do ego.

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro “A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)” e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.
2 respostas
  1. NAZGUL
    NAZGUL says:

    se liga, o movimento masculinista eleva a auto-estima do homem e impede que o homem bonzinho que sofreu bullying na escola se case com uma gorda de merda de 35 anos que quando era jovem aos 20 anos dava a buceta pros caras que batiam no bonzinho. os homens tão acordando prea realidade. foda-se o ideal racial e conservador, a auto-estima vem em primeiro lugar.

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    • Cristian Derosa
      Cristian Derosa says:

      “a auto estima vem em primeiro lugar”. Espero que, lendo as suas próprias palavras, perceba o absurdo pós-moderno-satânico-masturbatório que está dizendo.

      Responder

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