1968: aspas que não fecham

O Camboja viveu um surto nacionalista após a Segunda Guerra e o recém surgido Partido Popular Revolucionário levou a França a declarar a independência do país em 1953. Depois de vencer todas as eleições para a Assembléia Nacional, o partido de Norodom Sihanouk governa o Camboja com amplo poder nas mãos, mas acaba enfrentando uma violenta oposição comunista, culminando com uma rebelião que teve o seu auge em 1968. O Khmer Vermelho, sob a liderança sanguinária de Pol Pot, promove massacres e institui a violência como base do seu regime. O comunismo cambojano, no entanto, sequer foi lembrado nas manifestações do “maio de 68”, cuja bandeira aparentemente era a liberdade e dignidade humana.

Tanto no Brasil com na França, os movimentos estudantis puderam experimentar uma revolução momentânea que, segundo “especialistas”, teria “mudado a história do mundo”. Embora na Europa e EUA o caráter das manifestações possa ser hoje considerado de esquerda, ele teve uma ponta de liberalismo e consumismo de uma classe média mimada que queria mesmo a imoralidade do consumo desmedido, unindo a este intuito meramente fisiológico, os ideais maoístas, leninistas e trotskistas, metidos no meio da multidão que gritava “palavras de ordem”.

Não houve um estudante que denunciasse os “estupros” ao povo cambojano, tão necessitado de um líder “gentil e progressista”. Os estudantes hoje se gabam de ter mudado o mundo. O mesmo mundo ao qual os estudantes de hoje dão as costas fruto dum desgosto niilista empobrecido pelo dadaísmo filosófico-moral e um neo-positivismo às avessas. Tudo isso serpenteado por intenções puras de “conservadorismo revolucionário” travestido de “prostituta elegante”, como se fosse possível esconder de todos a “batina satânica” que o padre esconde debaixo do altar.

Os massacres cambojanos deixaram o Camboja. Hoje eles estão no paraíso “verdeouro” do mundo globalizado; no território internacionalizado do “pântano tropical” que se transformou as universidades. Estudantes niilistas (ou seriam eles nulidades) travestem o inventário do mundo cultural (como se houvesse algum) brasileiro e reinventam a theoria com base na “inegável” práxis.

Escritor, Jornalista e pesquisador de mídia, mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autor do livro “A Transformação Social: como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda (Estudos Nacionais, 2016)” e colunista no site Estudos Nacionais e um dos fundadores da RádioVox. Colaborador do site Mídia Sem Máscara e aluno do filósofo Olavo de Carvalho desde 2009.
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